Passa a noite passa na sua pressa, leve como a neblina a sublimar sob o sol iridescente; sob o contorno dos nasceres no dia. Passa o fiapo da noite para seu esconderijo pelas próximas horas, guiado pelo cheiro morno e agridoce que ascende do quintal. Esse cheiro de manhã, denso e quase palpável, trazido pela aragem que sobe muros e invade casas sem cerimônia, me embriaga e me deixa tonto e cheio de uma esperança sem rumo que se arrasta pelos braços, quedando na janela, de onde aspiro meu futuro. Toda hora é uma promessa, toda hora é uma vida ou se não. Minhas horas prediletas, ah, minhas horas prediletas levantam-se imberbes, despertadas pelos cachorros vadios que ladram da esquina; pelas ofertas do vendedor de bolos e cuscuz que cruza intermitente na sua bicicleta o último bairro temporal da cidade. E a coloração do céu, indo da influência de raios fugazes que tingem o mundo com um violáceo aveludado para o mais puro azul ainda sem nuvens em questão de minutos, minutos que atravessam minha janela sem pesar. Porque tudo é bom e imaculado nos instantes cheios da prenuncias do dia nascente; porque tudo é inundado por surpresas meio vagas como se estivéssemos presos ainda no sonho da véspera.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
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